Se no passado a expedição de Charles Darwin era para estudar a origem das espécies, hoje a preocupação do projeto Beagle, que está percorrendo a viagem do naturalista no século XIX, é a sobrevivência e o futuro dessas espécies. A iniciativa integra a comemoração dos 200 anos do nascimento do inglês e dos 150 anos da publicação do livro A Origem das Espécies.
A expedição Beagle conta com a bióloga Sarah Darwin, que é tataraneta do naturalista inglês. Ela diz que a viagem serve para mostrar o privilégio que é viver nas condições que a natureza oferece. Sarah não escondeu o valor sentimental de percorrer os caminhos do seu tataravô.
– Andar pela mata atlântica me fez sentir a emoção e os desafios da viagem de Charles Darwin –, revelou Sarah, que participou de uma entrevista coletiva para divulgar o projeto Beagle, nesta terça-feira, no Píer Mauá, no Centro do Rio de Janeiro.
Um dos fatores para a preocupação com o futuro das espécies é o alerta do Painel Intergovernamental de Mudança Climática de que 30% das espécies do planeta enfrentam um risco crescente de desaparecerem se a temperatura global aumentar em 2º C. Algumas pesquisas da Rede WWF apontam que poucas espécies estarão imunes ao aquecimento global, que futuramente pode ser a principal causa da extinção de muitas espécies no século XXI.
De acordo com Sarah, atualmente a população mundial já está mais atenta às questões ambientais. Ela também falou sobre as experiências da viagem até o momento.
– Umas das experiências mais positivas foi poder entrar na mata atlântica e sentir o que Darwin sentiu. E o que mais chocou foi ver que algumas áreas em Cabo Verde estão totalmente degradadas –, afirmou a tataraneta de Darwin.
O projeto Beagle partiu da Inglaterra a bordo do veleiro Clipper Stad Amsterdam no final de agosto deste ano e chegou ao Brasil, em Fernando de Noronha, no dia 30 de setembro.
Como na viagem original de Darwin, a expedição passou por Salvador, entre os dias 5 e 7 de outubro, e chegou ao Rio no nesta segunda-feira (12), onde ficará até sexta-feira (17), no Píer Mauá. No total, serão 12 países visitados até maio de 2010.
No evento, o presidente do Conselho Diretor do WWF-Brasil, Álvaro de Souza, divulgou que o vencedor do Prêmio WWF-Brasil Personalidade Ambiental de 2009 é Carlos Nobre, pesquisador-titular e coordenador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
A premiação deve-se a grande contribuição de Carlos Nobre para a compreensão do aquecimento global e os impactos das alterações climáticas na Amazônia.